Quase no final da nossa estadia ela fez um post no blog dela falando da estadia minha e da minha mãe. Ficou muito bom achei maravilhoso. (Segue o texto)
Seis lances de escada
Essa semana fiquei pensando naquilo de que a velhice, ao invés de certezas, nos deixa em um terreno onde não somos mais tão intolerantes, cheios de nós mesmos, prontos pro tapa, assim, de cara. Isso veio de um comentário da amiga e mestre Lisa França, sobre certo episódio ocorrido. Ela dizia que na velhice é que você olha pra trás e tem uma outra visão, reflexão, carrega o peso das escolhas e, de certa forma, se torna mais aberto pra vida, que já se aproxima mais do fim, inevitavelmente. Claro que isso não foi propriamente o que Lisa disse, mas fruto da apropriação do discurso dela somado à minha vivência.
E por isso tenho tentado, desde nova, me tornar mais tolerante, aberta, flexível. Fico pensando naquilo que meu irmão diz: Há tanta coisa pra se viver! Esses últimos dias que passei com minha tia do oitavo andar - por conta da reforma do apê dela - percebi a importância dessa frase. Além da comidinha gostosa, percebi que o apego é inevitável. É legal ouvir aquelas histórias todas de que a sua bisavó guardava doce embaixo da terra, perto de onde tinha água (e eu não sei como naquela época eles descobriam isso assim do nada) pra conservar até quando a filha voltasse de Goiânia pra visitar os parentes. Ou de que, antigamente, as pessoas comiam requeijão, carne de sol, muito doce e não engordavam, viviam bem. "Menina, meu pai matava uns bois e colocava a carne no varal secando. Se a gente tinha fome, pegava um pedaço, fritava e era uma delícia só!".
É conto de fada, dirão meus futuros filhos. Se pra mim as histórias mais antigas são uma mistura de saudade e lenda, imagine para as gerações futuras. Em dez dias que passou comigo, tia Ana (ou Angélica, como a chamam por aqui) me contou boa parte das histórias de família e eu adorei ouvi-las. Não sei como tem gente que não dá valor a isso. Pra mim é como se eu fosse criança, querendo ouvir as lendas que eles viviam. E aí percebo que o tempo passou. E que as pessoas mais velhas têm tanto pra contar, sabe. Seja uma história-lenda do passado, seja uma dica de como limpar algo, ou conservar folhas.
Vi na minha tia um pedacinho de mim, que veio atrás de um sonho de estudar - raríssimo naquela época -, passou dificuldades e se encontrou na vida. A gente sempre vive se encontrando por aí. E agora, talvez, ela esteja se encontrando de novo, depois da idade. Vendo a vida de um jeito mais tolerante, talvez. Mais tranquila, calma e serena, eu tenho certeza. Aí, na hora de ir embora e voltar pro seu apartamento, deu aquele sorrisão que é idêntico ao da minha vó e ao do meu tio Zé. "Não, eu que agradeço pela sua companhia nesses dez dias", disse eu. É, percebi com essa breve estadia, mais uma vez, que convivência é troca de experiência; que as vontades e descobertas dos 18 e 23 são mais semelhantes do que eram aos 10 e 15 anos e que do quinto pro oitavo andar são apenas seis lances de escada. "Há muita coisa para se viver", sempre bom lembrar disso.
E por isso tenho tentado, desde nova, me tornar mais tolerante, aberta, flexível. Fico pensando naquilo que meu irmão diz: Há tanta coisa pra se viver! Esses últimos dias que passei com minha tia do oitavo andar - por conta da reforma do apê dela - percebi a importância dessa frase. Além da comidinha gostosa, percebi que o apego é inevitável. É legal ouvir aquelas histórias todas de que a sua bisavó guardava doce embaixo da terra, perto de onde tinha água (e eu não sei como naquela época eles descobriam isso assim do nada) pra conservar até quando a filha voltasse de Goiânia pra visitar os parentes. Ou de que, antigamente, as pessoas comiam requeijão, carne de sol, muito doce e não engordavam, viviam bem. "Menina, meu pai matava uns bois e colocava a carne no varal secando. Se a gente tinha fome, pegava um pedaço, fritava e era uma delícia só!".
É conto de fada, dirão meus futuros filhos. Se pra mim as histórias mais antigas são uma mistura de saudade e lenda, imagine para as gerações futuras. Em dez dias que passou comigo, tia Ana (ou Angélica, como a chamam por aqui) me contou boa parte das histórias de família e eu adorei ouvi-las. Não sei como tem gente que não dá valor a isso. Pra mim é como se eu fosse criança, querendo ouvir as lendas que eles viviam. E aí percebo que o tempo passou. E que as pessoas mais velhas têm tanto pra contar, sabe. Seja uma história-lenda do passado, seja uma dica de como limpar algo, ou conservar folhas.
Vi na minha tia um pedacinho de mim, que veio atrás de um sonho de estudar - raríssimo naquela época -, passou dificuldades e se encontrou na vida. A gente sempre vive se encontrando por aí. E agora, talvez, ela esteja se encontrando de novo, depois da idade. Vendo a vida de um jeito mais tolerante, talvez. Mais tranquila, calma e serena, eu tenho certeza. Aí, na hora de ir embora e voltar pro seu apartamento, deu aquele sorrisão que é idêntico ao da minha vó e ao do meu tio Zé. "Não, eu que agradeço pela sua companhia nesses dez dias", disse eu. É, percebi com essa breve estadia, mais uma vez, que convivência é troca de experiência; que as vontades e descobertas dos 18 e 23 são mais semelhantes do que eram aos 10 e 15 anos e que do quinto pro oitavo andar são apenas seis lances de escada. "Há muita coisa para se viver", sempre bom lembrar disso.
(pra quem quiser acessar o blog dela ta ai o link antesdopontofinal.blogspot.com )
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